quinta-feira, março 09, 2006

Mulher não nasce, estréia!












Mulher não nasce, Estréia !
Estréia na vida, no trabalho;
Estréia na escola, que seja da vida;Mas estréia.
Estréia na faculdade, no teatro,
Que seja o da vida, mas estréia.
E de estréia em estréia, vai ficando aos poucos
Mulher dos acontecimentos, do dia a dia.
Estréia no Amor; nas Emoções; e nos sentimentos.
Estréia também nas decepções dos relacionamentos;
Reais ou virtuais, não importa;
Amorosos ou não, mas estréia.
Estréia na escolha dos parceiros que
Algumas vezes podem decepcioná-la, mas estréia.
Estréia na maternidade, onde certamente
Se dá o mais lindo fenômeno da vida:O Nascimento !O choro, o primeiro de muitos
Que certamente virão.
A mulher é completa; nos sentimentos,
Nos gestos, nas emoções;
E na maioria de suas ações.
Seja pessoal, ou profissional,
Ela conquista o direito da luta sem par.
E ganhando em sua vivência,
Estréia na maior de suas experiências
O direito de se ver e se sentir mulher.
Mulher se não nasce, também não morre,
Muda de dimensão; deixa o carinho, a saudade,
A lembrança enfim.
Uma prova viva da sua estréia.

Um grande Olé!!!!
Beijos
Adry

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

TAJ MAHAL : O amor que parece acender na lua cheia








Um comprido espelho d'água no centro de um pátio reflete a imagem dos visitantes que se aproximam. Quatro torres laterais protegem a construção. Ao centro, o grande palácio de mármore branco. O Taj Mahal, uma das construções mais belas do mundo, é um palácio de estilo oriental. Sua maior cúpula, no centro do palácio, é arredondada e tem a forma de um balão, como se alguém tivesse assoprado seu interior. Duas cúpulas pequenas ficam ao lado dessa principal. As duas pequenas lembram grandes turbantes árabes. O enorme Taj Mahal, na cidade de Agra, na Índia, parece que vai se desprender da terra e sair voando como um tapete mágico. A construção do palácio começou no fim de uma linda história de amor.
Todo construído de mármore branco. Sua beleza arquitetônica atordoante está descrita no amanhecer e pôr-do-sol. O Taj parece acender na lua cheia.”. –”.
O Taj-Mahal fica em Agra, uma cidade do estado de Uttar Pradesh, na Índia. Situa-se nas margens do rio Yamuna. Tem cerca de 1400 mil habitantes. Foi fundada em 1566 pelo sultão Akbar. O famoso Taj Mahal é o principal tesouro artístico da cidade.Cerca de 22 mil homens (escultores, pedreiros, artesãos, calígrafos) de várias cidades do Oriente trabalharam na construção desse monumento que é uma das obras mais belas, entre as atuais ainda em votação das Novas Sete Maravilhas do mundo, com grande sentido simbólico, um monumento ao amor do Príncipe Shah Jahan pela Princesa Mumtaz Mahal.De acordo com a história o Príncipe Shah Jahan, então com 14 anos de idade, visitando um bazar encontrou Aryumand Banu Begam com 15 anos, filha do Primeiro Ministro, ficou tão encantado com a menina que no mesmo momento comprou um diamante de 10.000 ruppes (moeda da índia: rúpia), e então foi ao seu pai e anunciou o seu desejo de casar com ela. O casamento ocorreu cinco anos mais tarde e dali em diante eles tornaram-se inseparáveis. A Princesa Aryumand Banu Begam a quem o Príncipe Shah Jahan chamava carinhosamente de Mumtaz Mahal ("A jóia do Palácio"), acompanhava-o em todas as campanhas militares, e era ela que o aconselhava nos negócios do estado e nas obras beneficentes. Shah Jahan teve “outras esposas”, mas a sua predileta era Mumtaz Mahal, sua única e mais preciosa Jóia, com quem teve 14 filhos. Em 1631, a Princesa e sua companheira Mumtaz Mahal, a Jóia do Palácio morreu dando à luz a sua 14° criança, o príncipe ficou com o coração partido e durante duas décadas de sua vida cumpriu com sua promessa: construindo Taj Mahal, um monumento como símbolo do seu amor imortal para sua esposa e eterna companheira. O Taj Mahal foi construído sobre o túmulo de sua esposa e é considerada uma das maravilhas do mundo. Permanece no meio dos jardins do Rio de Yamuna em Agra. A parte mais famosa do monumento é a tumba de Mumtaz Mahal (Jóia do Palácio) com sua cúpula de mármore branco, também inclui mesquitas, torres e outros edifícios. Em 1657 Shah Jahan ficou doente, e em 1658 seu filho Aurangzeb aproveitou de sua fragilidade para encarcerar seu pai e ocupar o trono. Shah Jahan permaneceu em cativeiro até sua morte em 1666. Dizem que ele passou os últimos dias de sua vida olhando fixamente em um pequeno espelho o reflexo do Taj Mahal, e morreu com o espelho em sua mão. Ele foi enterrado no Taj Mahal com a esposa que ele nunca esqueceu, sua Mumtaz Mahal, a “Jóia do Palácio”.O Palácio Taj Mahal está entre as Novas Sete Maravilhas do Mundo, e aqui estaremos torcendo por ele, uma obra de uma grandiosidade única e com um grande valor e merecedor desse título, não só pela sua construção monumental, mas também pelo lugar considerado sagrado e principalmente pelo seu valor simbólico: O Amor!
É sem dúvida uma das obras mais belas e perfeitas da história do Mundo!

terça-feira, fevereiro 21, 2006

De todas as maneiras .





















De todas as maneiras
Chico Buarque/1980

De todas as maneiras
Que há de amar
Nós já nos amamos
Com todas as palavras

feitas pra sangrar
Já nos cortamos
Agora já passa da hora
Tá lindo lá fora
Larga a minha mão
Solta as unhas do meu coração
Que ele está apressado
E desanda a bater desvairado
Quando entra o verão
De todas as maneiras

que há de amar
Já nos machucamos
Com todas as palavras

feitas pra humilhar
Nos afagamos
Agora já passa da hora
Tá lindo lá fora
Larga a minha mão
Solta as unhas do meu coração
Que ele está apressado
E desanda a bater desvairado
Quando entra o verão....................




Sem palavras!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Bjs
Adry

domingo, fevereiro 19, 2006

Natalia de Castro & Adriano Agudo






















Adriano Agudo & Natália de Castro - Ouzar Cia de Dança


A Moça Do Sonho
Chico Buarque / Edu Lobo

Súbito me encantou
A moça em contraluz
Arrisquei perguntar: quem és?
Mas fraquejou a voz
Sem jeito eu lhe pegava as mãos
Como quem desatasse um nó
Soprei seu rosto sem pensar
E o rosto se desfez em pó
Por encanto voltou
Cantando a meia voz
Súbito perguntei: quem és?
Mas oscilou a luz
Fugia devagar de mim
E quando a segurei, gemeu
O seu vestido se partiu
E o rosto já não era o seu
Há de haver algum lugar
Um confuso casarão
Onde os sonhos serão reais
E a vida não
Por ali reinaria meu bem
Com seus risos, seus ais, sua tez
E uma cama onde à noite
Sonhasse comigo
TalvezUm lugar deve existir
Uma espécie de bazar
Onde os sonhos extraviados
Vão parar
Entre escadas que fogem dos pés
E relógios que rodam pra trás
Se eu pudesse encontrar meu amor
Não voltava
Jamais


“PAS DE DEUX” Afinidade no encontro da Alma...


À Natália de Castro & Adriano Agudo


Afinidade significa "relação, semelhança, analogia, conformidade, identidade, igualdade. Tendência combinatória, coincidência de gostos ou sentimentos.
Um grande Pas De Deux é caracterizado especialmente pela afinidade entre os bailarinos.
Em que consiste a afinidade? Diálogo, intercâmbio de idéias, dúvidas expostas e discutidas, semelhança no modo de pensar, segredos e angústias mutuamente compartilhados.
E confiança, muita confiança.
É muito difícil dançar com alguém , se não existe afinidade.
Creio que a palavra afinidade (a busca de) pode ser associada à palavra garimpo; uma maneira onde ambos possam evoluir para um grande resultado .
Durante os nossos vôos muitas vezes nos cruzamos com outras "Almas" que vagueiam pelos mesmos cantos que nós.
Com essas "Almas" criamos maior ou menos afinidade, e com algumas, as que mais nos dizem, voamos em conjunto durante grande parte do caminho.

" Esses dois são assim.... Almas Especiais...."

A Fada Azul

Oswaldo Montenegro

Ela dança as fases da lua
tece vento e o ar rodopia
põe no colo os bichos das ruas
põe no chão quem quer correria
põe as mãos de alguém entre as suas
e é o nascer de um sol, mais um dia
Do aroma rosa da arte ela extrai
a cor da alegria do lilás
do olhar de quem parte faz o azul
de quem ficaria do vermelho ardor
do estandarteo nascer de um sol, mais um dia
Tem a solidão do poeta
a paixão da chuva tardia
escultora da linha retaque
a luz percorre e esta viasalta do seu olho, é uma seta
o nascer do sol, mais um dia
São brilhos de estrelas na perna
e a noite que a estrela anuncia
a paixão é estranha caverna
quem tem medo e amor já sabia
uma noite nunca é eterna
é o nascer do sol, mais um dia
Ela pisa as ruas do tempo
já foi louca, princesa e Maria
faz de azul mais que cor, sentimento
mina d'água, azul, poesia
faz soar as rimas que invento
e é o nascer do sol, mais um dia

terça-feira, janeiro 31, 2006

O Adeus de Yves Saint Laurent







Leia a íntegra do discurso em que o maior estilista vivo se despede do mundo da moda.

Dia 7 de janeiro de 2002, Yves Saint Laurent anunciou em Paris o seu afastamento da moda. A imprensa mundial foi convidada a comparecer à maison do estilista, no número 5 da avenida Marceau, onde Saint Laurent, com 65 anos, leu o texto abaixo:

Senhoras e Senhores,

Convidei vocês para virem hoje a esta casa a fim de lhes dar uma notícia importante, que diz respeito à minha vida pessoal e ao meu trabalho.
Eu tive a oportunidade de me tornar aos 18 anos assistente de Christian Dior, de sucedê-lo aos 21 anos e de encontrar o sucesso desde a minha primeira coleção, em 1958. Em poucos dias, serão já 44 anos desde que tudo isso começou.
Depois, eu vivi para o meu trabalho e em nome de meu trabalho.
Eu quero homenagear aqueles que me influenciaram, que me guiaram na minha atividade e me serviram de referência.
Antes de todos, Christian Dior, o meu mestre e o primeiro que me levou a descobrir os segredos e os mistérios da alta costura. Balenciaga, Schiaparelli. Chanel, claro, que me deu tantas coisas e, como se sabe, liberou as mulheres. O que me permitiu, anos mais tarde, dar a elas o poder e, de uma certa maneira, liberar a moda.
Ao abrir, em 1966, pela primeira vez no mundo, uma butique de prêt-à-porter com a marca de um grande costureiro, criando sem me referir à alta costura, tenho consciência de haver feito progredir a moda de meu tempo e de haver permitido às mulheres acederem a um universo até então reservado.
Como Chanel, sempre aceitei a cópia e me orgulho muito que as mulheres de todo o mundo vistam tailleurs-pantalons, smokings, cabans e trench-coats. Digo a mim mesmo que criei o guarda-roupa da mulher contemporânea, que participei da transformação de minha época. Eu o fiz com roupas, o que é certamente menos importante do que a música, a arquitetura, a pintura e várias outras artes, mas, seja como for, eu o fiz.
Creio que serei perdoado por contar vantagens, mas, desde há muito tempo, eu acreditei que a moda não era apenas para embelezar as mulheres, mas também para lhes dar confiança, certeza, permitir que elas se assumissem.
Sempre fui contra os fantasmas de alguns que satisfazem seu ego através da moda. Ao contrário, eu quis me colocar a serviço das mulheres. Quer dizer, servi-las. Servir seus corpos, seus gestos, suas atitudes, sua vida. Quis acompanhá-las no grande movimento de liberação que conheceu o último século.
Tive a oportunidade de criar em 1962 minha própria maison de costura. Já faz 40 anos.
Eu quero agradecer àqueles que, desde o início, tiveram confiança em mim.
Michel de Brunhof, que me conduziu até Christian Dior. Mack Robinson, que acreditou no meu destino e permitiu que eu abrisse minha maison. Richard Salomon, a quem eu devo tanto.
Como poderia esquecer os jornalistas, como John Fairchild, Carmel Snow, Diana Vreeland, Nancy White, Eugenia Sheppard, Edmonde Charles-Roux, Françoise Giroud?
Mais próximo de mim, quero agradecer a Pierre Bergé, claro, mas será que vale a pena insistir nisso? Anne-Marie Munoz, Loulou de La Falaise. É impossível para mim citar todos os Premiers e Premières de ateliê que me acompanharam desde o início. Contudo, o que eu teria feito sem eles, sem o seu grande talento, que eu gostaria de saudar? Todos os operários e operárias, cujo devotamento admirável me ajudaram tanto e aos quais quero exprimir minha profunda gratidão, como também ao conjunto dos funcionários da minha maison.
Quero agradecer às mulheres que vestiram minhas roupas, as célebres e as desconhecidas, que me foram fiéis e me deram tanta alegria.
Tenho consciência de ter feito, durante longos anos, o meu trabalho com rigor e exigência. Sem concessões. Sempre coloquei acima de tudo o respeito por esse trabalho, que não é de fato uma arte, mas que precisa de um artista para existir.
Penso que eu não traí o adolescente que mostrou os primeiros croquis a Christian Dior com uma fé e uma convicção inquebrantáveis. Essa fé e essa convicção nunca me abandonaram.
Todo homem, para viver, precisa de fantasmas estéticos. Eu os segui, procurei, persegui. Passei por muitas angústias, às vezes por infernos. Conheci o medo e a solidão terrível, os falsos amigos que são os tranquilizantes e os estimulantes. A prisão da depressão e das casas de saúde. De tudo isso, um dia eu saí maravilhado, mas desiludido. Marcel Proust me ensinou que "a magnífica e lamentável família dos nervosos é o sal da terra". Sem sabê-lo, eu fiz parte dessa família. É a minha. Eu não escolhi essa linha fatal, contudo é graças a ela que eu me elevei ao céu da criação, que eu me aproximei dos fabricantes do fogo, dos quais fala Rimbaud, que eu me achei, que eu compreendi que o encontro mais importante da minha vida deveria ser comigo mesmo.
Apesar de tudo, eu escolhi dizer adeus, hoje, a esse trabalho que eu tanto amei.
O próximo desfile, para o qual eu convido os senhores, em 22 de janeiro, no Centro Georges Pompidou, será em grande parte uma retrospectiva de minha obra.
Muitos de vocês já conhecem os modelos que desfilarão. Eu tenho a ingenuidade de acreditar que eles podem desafiar os ataques do tempo e assegurar seu lugar no mundo de hoje. Eles já provaram isso. Outros modelos desta saison os acompanharão.
Quero agradecer igualmente ao sr. François Pinault e manifestar a ele a minha gratidão por permitir que eu colocasse harmoniosamente um ponto final a esta maravilhosa aventura e por ter acreditado, como eu, que a alta costura desta maison deveria se interromper com minha partida.
Enfim, quero agradecer a vocês, que estão aqui, e àqueles que não estão, por terem sido fiéis aos encontros que tivemos ao longo de tantos anos. Por terem me apoiado, compreendido, amado.
Eu não os esquecerei.

Yves Saint Laurent - Tradução de Alcino Leite Neto.

Yves Henri Donat Mathieu Saint Laurent






Se, de Nova York a Paris e de Sidney a Pequim, mais de dois milhões de visitantes admiraram suas criações no museu, seu estilo é expresso em primeiro lugar através da cor, da vida, do movimento e da história das mulheres, que ele acompanha com amor desde 1958, data de sua primeira coleção na Christian Dior, que o tornou célebre no mundo inteiro. Nascido em Oran, na Argélia, em 1956, ele tem apenas vinte e um anos quando o chamam de Christian II. Ele funda sua maison de costura em 1962 com Pierre Bergé, e lança em 1966 sua linha de prêt-à-porter "Rive Gauche", permitindo a milhares de mulheres conjugar elegância e conforto. Assim, a saharienne (1967) ou o terninho (1968) vão se tornar clássicos do guarda-roupa contemporâneo.
"Uma mulher feliz é uma mulher de saia preta, com um pulôver preto, meias pretas, uma jóia de fantasia e um homem que a ame ao lado".
Para se impor como o maior costureiro de sua época, esse esteta soube, mais do que ninguém, transcrever seus sonhos inspirados pelos pintores:
Andy Warhol, Mondrian e Tom Wesselrnan nos anos 60, Picasso nos anos 70, Van Gogh e Bonnard nos anos 80. Suas criações causaram escândalo, sejam as primeiras blusas transparentes (1968), ou o perfume Opium, lançado em 1977. Mas a sua força está também em encarnar ao mesmo tempo o classicismo absoluto, tendo como embaixatriz Catherine Deneuve. Herdeiro de Chanel e Balenciaga, ele se mantém fiel a essas linhas que não possuem qualquer detalhe em excesso:
"a elegância é urna maneira de se mover".
Grande colecionador, apaixonado por ópera, Yves Saint-Laurent é um dos últimos grandes estetas deste final de século. De Cyrano de Bergerac a A Águia de duas Cabeças, ele criou inúmeros figurinos para o teatro, sua primeira paixão. Sua arte é depurada e, de um sopro de musselina, ele recria sonhos dignos de um Botticelli, para dizer melhor:
"O mais belo ornamento de um homem ou uma mulher é o amor".
Primeiro costureiro a vestir as mulheres com transparências, Yves Saint Laurent também foi o primeiro a entrar, ainda em vida, para o museu. Foi em 1983, no Metropolitan Museum de Nova York. Seu nome é uma lenda. Sua griffe, um império. Seus desfiles, rituais.
Quarenta anos depois de sua coleção Trapézio, que lhe valeu o apelido de "o mais novo nome da alta costura", Yves Saint Laurent permanece um enigma, um anarquista bilionário capaz de declarar:
"Só lamento uma coisa, não ter inventado o jeans."
Primeiro costureiro a lançar um blusão negro (em 1960, na Maison Dior), e substituir os escarpãs por botas longas, ele é também um dos últimos a se submeter, com uma grande humildade, à obrigação que se impôs desde os anos de aprendizagem na Maison Dior...
"Todos os meus vestidos nascem de um gesto. Um vestido que não reflete ou não faz pensar em um gesto não é bom. Uma vez encontrado esse gesto, pode-se escolher a cor, a forma definitiva..."
YSL foi o primeiro costureiro a constituir sua própria coleção particular. Outro paradoxo, para aquele cujas roupas são feitas em primeiro lugar para as mulheres, e as que as vestirão: "Com Yves Saint Laurent a gente sente que existe um desenho por trás da roupa. Existe a mão, o olho, o espírito, esse gosto que encontramos nas operárias que conhecem o nosso corpo. O vestido existe porque elas observaram você, e elas sabem...", observa uma cliente.
Ex-primeira costureira do ateliê, Madame Renée desvenda, sem revelar, o mistério dos drapeados de Saint Laurent:
"A gente tenta captar o movimento de um sari, preservar o lado flexível do esboço. Quando eu experimento os modelos nas manequins, faço com que se movimentem pelo ateliê. É importante que elas se sintam ao mesmo tempo seguras e leves. O Sr. Saint Laurent detesta entraves. Ele tem horror à idéia de que uma mulher seja bloqueada ao caminhar."
Os escândalos YSL
Em 1966, sua see-through blouse provocou o maior escândalo nos Estados Unidos. Dois anos mais tarde, uma cliente que chegava a um restaurante em Nova York numa túnica-pantalona de jersey é proibida de entrar. Ela reaparece só de túnica (que virou um mini-vestido), e é aceita...
"Eu quero encontrar para as mulheres o equivalente do terno masculino", explicava ele em 1967, liberando a moda de suas histórias de comprimentos e cores, para fazê-la alcançar a época. Seu grande escândalo terá sido o de exaltar o corpo, de substituir a palavra elegância por sedução, acendendo o fogo do desejo, nos locais em que só cabiam conveniência e respeitabilidade.
A andrógina de Tom Ford não poderia ter nascido sem a amazona de YSL, declarando em 1966 o ano da coleção de prêt-à-porter Rive Gauche:
"A beleza? Nenhum interesse. O que conta é a sedução, o choque. O que se sente. É o puramente subjetivo. Pessoalmente, sou mais sensível ao gesto do que ao olhar, à silhueta ou a qualquer outra coisa..."
Foi ele quem quebrou as regras do jogo, falando de cores mais do que de "coloridos", esbanjando seus vermelhos, seus azuis e seus verdes, fazendo a costura oscilar no universo oriental dos bazares, dos souks temperados de visões. Desconhecidas, suas seis coleções na Maison Dior, entre 1958 e 1960, revelam em filigrana as obsessões de um jovem costureiro preocupado em dar continuidade à obra de seu mestre, e atraído pela época que se abre para ele, década de todas as liberações, segundo seu amigo Andy Warhol.
O vestido trapézio de 1958, que rompia com o modelo da mulher apertada, espremida do pós-guerra, anuncia a transição que será seguida por muitos outros: o caban (1962), o smoking (1966), a saharienne e os ternos masculinos (1967), o jumpsuit (macacão, 1968), e os vestidos transparentes (1969). Ela marca o fim dos diktats, cujas linhas sazonais da alta costura eram a tônica. Inspirada nos mercados das pulgas 2, a coleção de 1940 (1971), marcará a intrusão da "rua" na moda, fazendo de cada costureiro um antiquário em potencial
"O preto é meu refúgio, diz YSL, o preto é um risco numa página em branco".
Do preto, ele fez uma cor, um camaleão capaz de atravessar o dia e a noite, de romper a primavera e o inverno com a mesma força. Desse preto reservado às "cerimônias", ele fez um clássico cotidiano. Mas ele é também o costureiro da luz, aquele de quem os tons rosa - Toureiro, Magenta, Amor, Aurora - vibram e cintilam sobre a pele nua, fazendo de suas mulheres umas heroínas. Ao negro que simplifica, condensa, purifica opõem-se com ele, cor de todas as cores, esses vestidos de mil e uma noites, pousados como ornamentos sobre ídolos com corpo de ébano.
O costureiro camaleão
Aos vinte e um anos, ele parecia ter ficado velho. "Sua juventude foi completamente quebrada em 1958", diz sua mãe, Lucienne Mathieu Saint Laurent. Escondido por trás dos óculos, ele se revela nos anos 70, sob o porte de um adolescente, no papel de manequim para a coleção Rive Gauche para homem, chegando até a posar nu para as lentes de Jean-Loup Sieff, no lançamento de seu perfume. Uma estréia. Dândi em dufffle-coat à moda de Cocteau, Gatsby em terno branco, Swann em smoking, ele confunde, colorindo os cabelos, engorda, emagrece.
Primeiro a fazer da moda um espetáculo (coleção Ópera Balés Russos, 1976), ele foi o primeiro a prezar a solidão como um ídolo, a se deixar envelhecer, até mesmo para se proteger dos outros e dele mesmo. "Estou cada vez mais só. Não posso sair. Tenho medo do mundo exterior, da rua, da multidão. Só fico bem em casa, com meu cachorro, meus lápis e meus papéis..." afirma hoje YSL. Em sua solidão ele vê, critica a rua parisiense, prefere a ela "a energia de Nova York: essa maneira de misturar o esporte e a cidade, de não se desmoronar por trás de sua parka..."
As vertigens da arte
Em 1959, na Maison Dior, YSL celebra em suas coleções pintores como Goya, cujas "infantes", de rosto envolto em tule "ponto de espírito", são as heroínas. A coleção Mondrian e seus vestidos como "móbiles no espaço" (1965) será o prelúdio de uma nova aventura que faz de YSL o "Beatle da rua Spontini", criador da coleção Pop Art, inspirado por Andy Warhol e Tom Wesselman. Nos anos 70, as referências à arte, que serviam para inseri-lo na vida, o consumo dos tempos modernos torna-se um refúgio, uma espécie de ideal, território sagrado de todas as alquimias, ali onde a dor se torna beleza.
Yves Saint Laurent torna-se uma imagem, uma espécie de ícone, rodeado por uma muralha de ouro e silêncio. Da coleção Ópera Balés Russos à coleção "Picasso", a vertigem não cessará de aumentar, ali onde a moda, campo do efêmero, do transitório, roça a História, e suas obras-primas. Apresentados num clima dominado pela especulação do mercado de arte, as Iris e os Girassóis inspirados em Van Gogh, esses ternos cujos bordados farão deles os mais do mundo, mostram ainda a dupla tentação de YSL: acompanhar seu tempo, e ao mesmo tempo suspendê-lo. Ser o único capaz de ousar dizer, a propósito da mulher contemporânea:
"Eu inventei seu passado, ofereci-lhe seu futuro e isso durará até bem depois de minha morte."
A elegância segundo YSL: simplicidade e originalidade.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Sem Segredos.










Acima Do Sol
Skank


Assim ela já vai
Achar o cara que lhe queira
Como você não quis fazer
Sim , eu sei que ela só vai
Achar alguém pra vida inteira
Como você não quis
Tão fácil perceber
Que a sorte escolheu você
E você cego nem nota
Quando tudo ainda é nada
Quando o dia é madrugada
Você gastou sua cota
Eu não posso te ajudar
Esse caminho não há outro
Que por você faça
Eu queria insistir
Mas o caminho só existe
Quando você passa
Quando muito ainda pouco
Você quer infantil e louco
Um sol acima do sol
Mas quando sempre é sempre nunca
Quando ao lado ainda e muito mais longe
Que qualquer lugar
Um dia ela já vai
Achar o cara que lhe queira
Como você não quis fazer
Sim , eu sei que ela só vai
Achar alguém pra vida inteira
Como você não quis
Se a sorte lhe sorriu
Porque não sorrir de volta
Você nunca olha a sua volta
Não quero estar sendo mal
Moralista ou banal
Aqui está o que me afligia
Um dia ela já vai
Achar o cara que lhe queira
Como você não quis fazer
Sim , eu sei que ela só vai
Achar alguém pra vida inteira
Como você não quis.


"Muitas pessoas perdem as pequenas alegrias enquanto aguardam a grande felicidade."

(Pearl S. Buck)